Cálcio: quando considerar a suplementação?
O cálcio é um mineral essencial para diversas funções do organismo, além de ser fundamental para a formação e manutenção dos ossos. Ele participa da contração muscular, da coagulação sanguínea, da transmissão nervosa e da função celular em geral.
Apesar de sua importância, muitas pessoas não atingem a ingestão diária recomendada apenas pela alimentação. Nesses casos, a suplementação pode ser considerada — mas não é necessária nem apropriada para todos. Este artigo explica quando ela pode fazer sentido, seus limites, riscos e boas práticas.
Importância do cálcio e da vitamina D
Para que o cálcio exerça seus efeitos no organismo, é essencial que haja níveis adequados de vitamina D. A vitamina D auxilia no transporte e na absorção do cálcio no intestino delgado.
No Brasil, muitos estudos indicam ingestão insuficiente desses nutrientes. Em uma amostra de adultos avaliados em um ambulatório de Nutrição, cerca de 89,5% apresentaram ingestão inadequada de vitamina D e 86,6% de cálcio.
Grande parte da população consome quantidades de cálcio abaixo das recomendações, reforçando a necessidade de estratégias nutricionais e educacionais para garantir um aporte adequado.
Necessidades diárias e fatores que afetam a absorção
Referências de ingestão
As necessidades de cálcio variam conforme faixa etária, sexo e condições fisiológicas, como gestação e menopausa.
Um artigo científico cita que doses eficazes em intervenções incluíram 1.200 mg de cálcio associado a 880 UI de vitamina D.
Biodisponibilidade e fatores regulatórios
Além da quantidade ingerida, é fundamental considerar a biodisponibilidade, ou seja, quanto desse cálcio é efetivamente absorvido. Fatores que influenciam incluem:
- Fitatos e oxalatos presentes em vegetais: podem se ligar ao cálcio e reduzir sua absorção.
- Excesso de sódio: favorece a excreção urinária de cálcio.
- Idade, estado hormonal e condições fisiológicas como menopausa.
- Interações minerais: magnésio, ferro e fósforo em excesso podem competir com o cálcio no processo de absorção.
Antes de pensar em suplementação, é recomendável otimizar a dieta e os fatores de estilo de vida que favorecem absorção.
Quando considerar suplementação de cálcio
A suplementação não deve ser vista como solução universal, mas pode ser indicada nas seguintes situações:
Ingestão dietética insuficiente persistente
Quando, mesmo com orientação nutricional, a pessoa não consegue atingir as recomendações de cálcio pela alimentação.
Pós-menopausa, osteopenia ou osteoporose
Em mulheres na pós-menopausa, há evidências de que a suplementação de cálcio + vitamina D pode reduzir o risco de fraturas.
Nesses casos, pode ser usada como medida preventiva ou em conjunto com tratamento farmacológico da osteoporose.
Condições clínicas específicas
- Doenças metabólicas ósseas ou risco aumentado de fraturas.
- Síndromes de má absorção intestinal (ex.: doença celíaca).
- Uso de medicamentos que aumentam perda de cálcio, como glicocorticoides.
- Dietas muito restritivas ou intolerância severa a fontes alimentares de cálcio.
Períodos de maior demanda
Em fases como adolescência, gestação e lactação, a demanda por cálcio aumenta. No entanto, a suplementação nesses períodos deve ser individualizada e orientada por profissional de saúde.
Benefícios esperados e evidências
- Redução do risco de fraturas (incluindo quadril) em adultos com ingestão inadequada quando associada à vitamina D.
- Sinergismo com terapias hormonais ou medicamentos para osteoporose em mulheres pós-menopausa.
- Aumento modesto, porém clinicamente relevante da densidade mineral óssea em alguns estudos.
A adesão regular é fundamental para que os benefícios sejam observados.
Boas práticas para suplementação segura e eficaz
- Avaliação individual: considerar ingestão alimentar, saúde óssea, histórico renal e interação com medicamentos.
- Associar vitamina D: a suplementação tende a ser mais eficaz quando os níveis de vitamina D estão adequados.
- Dividir doses ao longo do dia: grandes doses únicas reduzem a absorção.
- Monitoramento: acompanhar cálcio sérico, função renal, marcadores ósseos e densidade mineral óssea quando indicado.
- Ajustes segundo dieta e estilo de vida: priorizar alimentos ricos em cálcio, como lácteos, vegetais verdes e alimentos fortificados.
- Respeitar limites seguros: evitar ultrapassar o limite máximo tolerável (cerca de 2.000 mg/dia em muitos casos).
